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Rio trava batalha final para sediar Olimpíadas de 2016


Desde setembro de 2006, quando foi escolhida como candidata brasileira a sediar os Jogos de 2016, a cidade do Rio de Janeiro atravessou 1.128 dias de provação: relatórios quilométricos, visitas de inspeção, discursos técnicos cheios de detalhes. Na esfera política, o prefeito Eduardo Paes apostou corrida no Engenhão com a inspetora-chefe do COI; o governador Sérgio Cabral caçou votos num roteiro que foi do Brasil à China; o presidente Lula enviou cartas para cada um dos 106 delegados votantes. Nesta sexta-feira, em Copenhague, a maratona chega ao fim. Por volta das 13h30m (no horário de Brasília), a Cidade Maravilhosa vai saber se, enfim, poderá se orgulhar de ser palco das Olimpíadas.

Antes do anúncio, é preciso suar mais um pouco. A reta final da disputa na Dinamarca começa quando o Brasil ainda estará na madrugada, às 3h30m. A partir dali, Chicago, Tóquio, Rio e Madri terão 45 minutos cada para a última apresentação (a do Rio está programada para 7h05m) e, em seguida, responderão às perguntas dos integrantes do COI. O conselho de votantes se reúne ao meio-dia e anuncia a cidade vencedora às 13h30m. No meio do caminho pode haver eliminações. Caso não haja maioria simples na primeira rodada, a cidade menos votada sai da briga e as outras três seguem – assim por diante, até aparecer a vencedora.

A maior preocupação dos cariocas é com a primeira rodada, que pode eliminar uma das cidades. Passando à próxima etapa, os organizadores da candidatura acreditam que o Rio cresce na disputa, já que deve atrair os votos do país eliminado. Os americanos apostam no carisma do presidente Barack Obama, que chega a Copenhague às 2h (de Brasília), mas deve começar a falar com os votantes ainda no avião do governo, o Air Force One, por telefone. Espanha e Japão também mandaram à Dinamarca os seus chefes de estado, mas, diante da polarização entre Lula e Obama, esperam que não seja esse o fiel da balança.

Prós e contras
Além do forte apoio popular, o Rio carrega como trunfo na manga o entrosamento entre os três níveis de governo e a experiência extraída da organização do Pan-Americano de 2007. Por outro lado, a cidade tem dificuldades para oferecer condições satisfatórias de transporte e acomodações.

Com Obama de garoto-propaganda, Chicago aposta na infraestrutura para fazer uma edição compacta dos Jogos, com deslocamentos curtos entre as instalações, sem falar na segurança. A demora para apresentar patrocinadores e garantias financeiras, no entanto, é um dos pontos fracos da candidatura americana.

Madri já tem pronta boa parte de suas instalações e, além do apoio da população e do eficiente sistema de transportes, conta com garantias financeiras das três esferas de governo. A estrutura administrativa dos Jogos, contudo, ainda peca pela falta de clareza.

A exemplo de Chicago, Tóquio também promete um evento concentrado, com todas as instalações no mesmo raio de 8km. A questão financeira não preocupa, mas a população não parece disposta a receber as Olimpíadas, o que pode pesar contra na hora da decisão.

Nesta sexta-feira, quando os 106 integrantes do COI estiverem reunidos na sala de votação – na verdade apenas 104 deles têm direito de voto -, todos esses aspectos serão levados em conta. E se a corrida final em Copenhague começa na madrugada brasileira, o Rio de Janeiro espera receber, ali pela hora do almoço, uma boa notícia capaz de mudar a história esportiva não apenas da cidade, mas do país e do continente sul-americano.

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Bruno Prudêncio

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